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Antes
do Pôr-do-Sol
(Before Sunset, EUA, 2004)
Posso
até me considerar uma pessoa romântica, mas poucos
são os filmes românticos que fazem a minha cabeça.
Nunca consegui ser adepta do romance ao estilo TITANIC, de amores
impossíveis, paixões avassaladoras e suspiros constantes.
E, por mais que ache algumas comédias românticas divertidas
e interessantes, para mim, em sua maioria, não passam apenas
de diversão rasteira (e isso não é necessariamente
ruim. Diversões rasteiras também são importantes
na vida).
O que
quero dizer é que existem realmente muito poucos filmes verdadeiramente
românticos em minha lista de favoritos. E ANTES DO AMANHECER
é um desses poucos exemplares. Acho que talvez o que tenha
me tocado no filme é a forma com ele consegue ser paradoxalmente
romântico e realista.
Jesse
(Ethan Hawke) e Céline (Julie Delpy)
se conhecem em trem a caminho de Paris. Ela, uma francesa voltando
da casa da avó, ele, um americano em férias. Ambos
são jovens, idealistas e sonhadores, mas ao mesmo tempo são
céticos e críticos. O verdadeiro exemplo dos complexos
habitantes desse nosso mundo pós-moderno. Em um rompante,
depois de algumas poucas palavras trocadas, Jesse convida Céline
a descerem em Viena e passarem o dia juntos. Em parte esse é
apenas um pretexto para que, durante o tour na cidade,
possam ser discutidos, no filme, temas como os relacionamentos modernos,
destino, sexo, livre arbítrio. E ao mesmo tempo somos envolvidos
pela história (e o carisma) das personagens principais. No
fim, eles se despedem na estação de trem, pois Jesse
precisa voltar para os Estados Unidos e Céline para Paris,
mas, mesmo sem trocarem telefone ou sobrenome, prometem se encontrar
seis meses depois na estação. O final aberto seria
uma espécie de “teste” para o espectador: Os
românticos acreditariam que os dois se reencontraram e viveram
felizes para sempre. Os céticos, que nada mais aconteceu.
E, finalmente, há os que até hoje estão em
dúvida.
Confesso
que eu sempre fiquei na dúvida. Parte de mim acreditava que
eles não tinham se reencontrado, enquanto a outra torcia
para que eles estivessem juntos.
ANTES
DO AMANHECER é um filme que me tocou e ainda me toca. O modo
como ele consegue falar de amor sem ser piegas, discutir as relações
modernas sem ser intelectualóide, e toda a poeticidade que
permeia cada fotograma do filme. Não sei como explicar. Sou
realmente fã da história original. Por isso mesmo,
quando eu soube que haveria uma continuação, esperei
com ansiedade pela estréia.
No
novo filme, ANTES DO PÔR-DO-SOL, Jesse e
Céline se reencontram nove anos depois. Ele se tornou um
escritor de relativo sucesso e está em Paris para divulgar
seu último livro, que conta exatamente sobre o dia em que
ele e Céline passaram juntos em Viena. Ela aparece na livraria,
e de lá, saem para um café. Ficamos, então,
sabendo, que o encontro, seis meses depois, não aconteceu,
e que cada um seguiu a sua vida do melhor modo que conseguiu.
A situação
é mais que o reencontro de dois amantes que se perderam por
uma inconveniência da vida. Novamente é uma chance
de se refletir sobre as relações amorosas. E não
apenas sobre elas, mas sobre todos aqueles “e se...”
que apavoram nossas vidas. Sobre as escolhas certas e erradas, as
frustrações do dia a dia, as ilusões e sobre
aquilo tudo que é maior que a nossa própria vontade.
Não
sei falar se ANTES DO PÔR-DO-SOL é
melhor que ANTES DO AMANHECER. A mesma sinceridade existente nos
protagonistas no filme original é encontrada aqui, talvez
até um pouco maior, já que Delpy e Hawke escreveram
o roteiro do novo filme junto com o diretor, trocando e-mails por
mais de cinco meses, e colocando na tela muito de sua própria
vida. O que temos aqui são dois adultos talvez um pouco mais
amargos, talvez um pouco mais desiludidos, mas ainda, por mais que
tentem negar, cheios de esperança, a mesma esperança
que achavam ter esquecido naquela estação de trem
em Viena. A diferença entre os dois filmes é exatamente
a diferença que a vida traz às pessoas: maturidade.
Ambos são filmes poéticos, mas enquanto o primeiro
possui o frescor e a impulsividade desajeitada da juventude, o segundo
tem a experiência e o desprendimento consciente da vida adulta.
Tentar
resumir ou explicar demais ANTES DO PÔR-DO-SOL
é esvaziar desnecessariamente a preciosidade que o filme
possui.
Talvez
a minha fala seja uma fala de fã. E fãs geralmente
são tendenciosos. Mas lembrem-se de que, como disse no início
da resenha, não sou uma romântica qualquer, sou uma
romântica chata, que não se deixa embalar facilmente
por músicas de fundo entoadas por Celine Dion. Gosto de consistência,
e garanto a todos vocês que isso, ANTES DO PÔR-DO-SOL
tem de sobra.
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Direção:
Richard Linklater
Com:
Ethan Hawke, Julie Delpy
Cotação:
    
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