Alien Versus Predador
(Alien Vs. Predator, EUA, 2004)




Sabe o que me tira a paciência? É quando a crítica em geral é boazinha com porcarias como ALIEN VERSUS PREDADOR dizendo que é um filme para assistir "deixando o cérebro em casa" ou porque os fãs querem ver mesmo é os dois monstros saindo no braço. Pois adivinha: eu sou fã e eu quero um bom filme! Não quero deixar meu cérebro em casa! Meus personagens favoritos merecem um pouco mais de respeito e enquanto esse tipo de coisa for aceita levianamente, teremos que aceitar picaretas como McG em projetos promissores.

Essa é a vantagem de Freddy vs. Jason por exemplo. Acabo de rever os três primeiros filmes da série A Hora do Pesadelo. Honestamente? Não são grande coisa! Têm muito sangue, alguma nudez, uma boa maquiagem e alguns efeitos especiais interessantes mas é só! Para um filme de terror falta clima e até mesmo sustos! A mesma coisa com a série Sexta-Feira 13! Toda a franquia já é meio medíocre. Fazer um bom filme onde seus dois psicopatas se enfrentam não é um trabalho muito difícil. E pelo menos tal tarefa ficou com Ronny Yu, que já tinha feito o divertido A Noiva de Chucky. Agora, me diga um filme que presta dirigido por Paul W. S. Anderson? Que realmente preste, mesmo como pura diversão?

A franquia Alien, com todos os seus problemas (mais precisamente no terceiro e quarto filme) ainda assim é muito boa! Se Alien, O Oitavo Passageiro é considerado por muitos o filme mais assustador da história (o que eu discordo), Aliens, O Resgate, o segundo filme da série, é o meu preferido. Isso sem reinventar a roda ou usando um elenco bilionário! Fuzileiros navais, um traidor ambicioso, o herói silencioso que se revela no final, a menina indefesa... um cliché atrás do outro, tudo isso com vários rostinhos desconhecidos que, tirando Paul Reiser, Bill Paxton e até Lance Henriksen (que nem são tão famosos assim entre o grande público), continuam desconhecidos. E mesmo assim, já assisti uma dúzia de vezes (sem exagero) e ainda acho sensacional! E não adianta dizer que era porque tinha James Cameron na direção porque esse era apenas seu terceiro filme depois de O Exterminador do Futuro e Piranha 2. Acredite ou não, na época ele se preparava para fazer Rambo II, cujo roteiro original é dele.

O Predador sofreu ainda mais. O primeiro carrega a marca registrada de seu diretor, John McTiernan, em seu segundo trabalho na direção. Nada mais é que um filme de ação hollywoodiano mas é muito bom no que se propõe. Não é uma lagosta servida no La Copoule mas um tremendo Big Mac, feito com todo carinho e amor por Ray Kroc. É só ver seus outros filmes como Duro de Matar, A Caçada ao Outubro Vermelho e Thomas Crown - A Arte do Crime. Despretensiosos mas altamente eficientes. O problema é que a continuação, dirigida por Stephen Hopkins (que nunca mais repetiu o talento que mostrou em Uma Jogada do Destino) é praticamente inassistível. Ou seja, metade dos filmes do Predador são péssimos enquanto o Alien 3 cresce bastante na revisão e Alien: A Ressureição, tirando as babaquices do roteiro do Joss Whedon, é até legal.

Mas não. Hoje em dia, filme ruim vindo de um grande estúdio de Hollywood torna-se "filme pipoca" e tem permissão para ser ruim. Bem, pois não tem a minha! ALIEN VERSUS PREDADOR é péssimo! Um dos filmes mais sem imaginação da minha história em cinema. Um desperdício de monstros bacanas. O filme é um insulto tão grande à inteligência que já nos créditos ofende: coloca AVP, o que já é uma sigla medonha, para embaixo colocar ALIEN VERSUS PREDADOR, como se você não soubesse o que significa.

A história: um satélite da Weyland Enterprises (uma alusão à série Alien) detecta uma enorme pirâmide enterrada na Antartida. O chefão da empresa, Charles Bishop Weyland, vivido por Lance Henriksen reune vários cientistas e escavadores para acompanhar sua equipe. Tudo isso seguindo a relutante guia Alexa Woods (Sanaa Latham de Por Um Triz). Encurtando, tal pirâmide está infestada de aliens e os predadores vêm à Terra a cada cem anos para enfrentá-los. Um tipo de ritual de passagem.

Anderson é tão preguiçoso em seu roteiro que usa um velho truque que eu e meus amigos usávamos em aventuras de RPG. Um cenário que muda o tempo todo. Salas aparecem, outras somem, tudo isso para colocar as buchas de canhão... desculpe, os humanos, contra os alienígenas (ambas as raças). Só que, meio de lugar nenhum, decide-se que os Predadores são os bonzinhos e os Aliens são os vilões então vamos ajudar os Predadores ou o mundo estará condenado. E que se danem a dúzia de humanos recém-assassinados pelos Predadores.

Uma coisa que qualquer filme da série Alien possui e que também está presente no primeiro Predador, é o suspense. Uma boa construção de sombras e sons, o que não há nesse filme. Nenhum. Você vê o que vai acontecer dez passos antes dos personagens. O cenário também não ajuda já que as gravuras nas paredes, dos monstros se enfrentando, parecem ilustrações estilizadas que se encontram em qualquer skate ou muro pichado da cidade, com direito a raiozinhos e tudo. Anderson chega a filmar o salto daqueles aliens que parecem uns escorpiões e se agarram no rosto de suas vítimas em bullet time, um efeito que ficou velho logo após o seu bom uso em Matrix (mas só no primeiro!). Câmera lenta... câmera acelerada... nada mais besta. O impressionante sempre foi a velocidade e agilidade desses bichinhos e isso só dá a impressão que na verdade os outros é que são uns molóides.

A única idéia boa contida no filme que é a incubação de um Alien em um Predador, adivinhe? Não é aproveitada! Nem mesmo é muito original já que foi usada por David Fincher em Alien 3 (alien-cachorro) e por Jean-Pierre Jeunet em Alien: A Ressureição (alien-humano). Para piorar, Anderson guarda esse único ás na manga para o último quadro do filme, após um clímax que mais lembra a perseguição do tiranossauro de Jurassic Park. Parece que ele estava confiando em uma continuação mas a Fox não ficou muito satisfeita com o resultado nas bilheterias. E Anderson ainda cospe no prato que comeu, dizendo que o estúdio reeditou o filme sem sua autorização e está completamente diferente do que ele havia planejado.

ALIEN VERSUS PREDADOR está competindo com Mulher-Gato a pior filme do ano. Pode não ser tão brega mas eu vi o filme a poucas horas e já não consigo lembrar de nem um detalhe que tenha agradado. Quem dera eu pudesse fazer todo mundo pensar como eu. Só assim projetos como esse cairiam em mãos mais habilidosas que as do diretor de O Soldado do Futuro.

Citando um diálogo em Os Suspeitos:

- KEVIN SPACEY: Eu já tenho imunidade. O que mais você pode me oferecer?
- CHAZZ PALMINTERI: Não comigo. Você não tem imunidade comigo.

Pois bem, Sr. Anderson, você não tem imunidade comigo. Já passou da hora de você pendurar as chuteiras! Volte para suas adaptações de videogame e fique por lá!

     

Direção:
Paul W. S. Anderson

Com:
Sanaa Lathan, Raoul Bova, Lance Henriksen

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