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21
Gramas
(21 Grams, EUA, 2003)
Dando
sequência a seu estilo visceral de cinema introduzido em Amores
Brutos, o cineasta Alejandro Gonzáles-Iñarritú
estréia no cinema americano mantendo todos os elementos que
o consagraram: temas fortes, cenas de impacto, conflitos existênciais,
câmera na mão, cores dessaturadas, montagem nervosa
e grandes interpretações de seu elenco.
Mais
uma vez, o estopim para as várias histórias é
um acidente de carro. Este acidente, que faz três vítimas,
vai transformar as vidas dos personagens de Sean Penn,
Naomi Watts e Benicio Del Toro.
Todos passam a ser guiados por uma busca religiosa/existencial que,
ao contrário da redenção almejada, pode levar
à destruição.
Curiosamente,
a tão comentada estrutura do filme é o que menos importa.
Sua construção em forma de quebra-cabeça, com
cenas indo e vindo no tempo até compor o conflito central,
serve primeiramente para passar ao espectador a confusão
mental em que se encontram os personagens. Estes sim são
a razão de ser do longa. É a trajetória individual
e coletiva dos três protagonistas que serve como âncora
na narrativa. Nos interessa o calvário de Rivers (Penn),
um professor de matemática, Cristina (Watts), uma ex-viciada
e Jordan (Del Toro), um ex-presidiário convertido à
fé cristã, todos unidos pelo tal acidente.
Iñarritú
teve sorte de contar com o aval do estúdio Focus Pictures
(braço "artístico" da Universal) para manter
intacta sua visão pessimista das relações humanas.
Nas mãos de outros estúdios, o cineasta dificilmente
manteria a mesma angústia e dor que permeia sua narrativa.
A boa receptividade de 21 Gramas é mais uma vitória
pessoal de James Schamus, presidente da Focus e roteirista de praticamente
todos os filmes de Ang Lee. Só em 2003, o recém-criado
estúdio emplacou este e mais Encontros e Desencontros,
além de ter angariado três das mais importantes categorias
do Oscar, com O Pianista.
Outro
trunfo de Iñarritú foi contar com um elenco corajoso
e estupendo como este. É por 21 Gramas e não
por Sobre Meninos e Lobos que Sean Penn merece a indicação
ao Oscar 2004. Aqui o ator abre mão de todos os trejeitos
que o caracterizam e aparece mais contido e muito mais eficiente.
Já Naomi Watts se confirma como uma das atrizes mais talentosas
de sua geração. A garra que ela empresta à
sua personagem é impressionante. A atriz aparece despida
- em todos os sentidos - e vulnerável, sem nunca cair no
lugar comum e na mesmice. A cena de sexo protagonizada pela atriz
é das mais angustiantes e doloridas já mostradas na
telona. Benicio Del Toro, por sua vez, tem a interpretação
mais memorável de sua carreira. É de longe o personagem
mais fascinante, em sua dicotomia moral e espiritual.
21
Gramas é um filme seco, pesado e sufocante. O que de
forma alguma depõe contra ele. No fim, importa menos se os
homens realmente perdem 16, 21 ou 34 gramas quando morrem. O que
realmente interessa é quanto peso ganham os corações
daqueles que aqui permanecem.
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Direção:
Alejandro Gonzáles-Iñarritú
Com:
Sean Penn, Naomi Watts, Benicio
Del Toro, Charlotte Gainsbourg, Melissa Leo, Clea DuVall, Danny
Huston
Nota:
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