WELCOME TO THE JUNGLE/THE RUNDOWN, EUA, 2003
IDIOMA: Inglês, Espanhol e Italiano (todos Dolby TrueHD 5.1), Português 5.1, Tailandês 5.1
LEGENDAS: Português (Brasil), Português (Portugal), Espanhol, Catalão, Inglês, Italiano, Tailandês, Coreano, Chinês
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.40:1 1080p
Aventura / Comédia – 1h44 – Cor – Sony
Direção: Peter Berg
Com Dwayne “The Rock” Johnson, Seann William Scott, Rosario Dawson, Christopher Walken, Ewen Bremner
Se a intenção é mostrar ao máximo a melhoria de qualidade de vídeo e áudio trazido pelo Blu-ray, nada melhor do que blockbusters de ação, certo? Este parece ser o caminho tomado pelas distribuidoras majors em todo mundo. Mesmo com títulos lançados que variam de clássicos a comédias, a maior parte dos lançamentos em alta definição até agora traz explosões grandiosas, tiros, corridas de carro, cenas de ação espetaculares e tudo pra fazer seu home theater mostrar de quantos decibéis ele é capaz.
Nem sempre estes espetáculos de ação primam pelo bom gosto, mas este não é ponto aqui. O que interessa, ou pelo menos é o que parece achar as distribuidoras, é que o público alvo inicial do novo formato são jovens do sexo masculino que querem exibir para os parentes e amigos as vantagens da alta definição, justificando assim o investimento extra em uma TV Full HD e um home theater compatível com o áudio sem compressão encontrado nos disquinhos Blu-ray (que ainda estão com os preços para lá de puxados).
BEM-VINDO À SELVA é um filme que se encaixa bem nessa descrição. Lançado pela Sony no Brasil tanto em DVD quanto Blu-ray (nos EUA o filme ainda não foi disponibilizado no novo formato), tem todos estes elementos descritos acima, acrescidos de imagens deslumbrantes de floresta tropical e fotografia estilizada bem ao gosto do público jovem atual.
A trama segue um especialista em resgates californiano (e eventual cobrador) que é encarregado de trazer de volta aos EUA o filho de um milionário escuso que se embrenhou na selva amazônica em busca de um ídolo sagrado feito de ouro puro. Beck é o nome do especialista e ele é interpretado por Dwayne Johnson, ou The Rock, como assinou suas primeiras participações no cinema e em sua carreira anterior como lutador de luta-livre. Johnson não tem apenas o físico certo para personagens assim. Desde sua estréia no cinema como o Escorpião Rei de O RETORNO DA MÚMIA (onde não causou grande impressão), o astro só tem melhorado, adicionando um diferencial a seus atributos: o senso de humor. Com isso, tem diversificado sua carreira numa época em que os astros de filmes de ação estão em franca decadência, retomando personagens consagrados no passado, realizando fitas baratas diretas para vídeo ou virando governador da Califórnia. Johnson, por outro lado, faz seus filmes de ação, mas investe igualmente em comédias (o novo AGENTE 86) e em filmes mais ambiciosos (SOUTHLAND TALES, recentemente lançado em DVD). Em BEM-VINDO À SELVA, ambos seus talentos são necessários, já que o roteiro transita entre a farsa e a pancadaria. Johnson divide a tela com Seann William Scott, que faz o filho do milionário e é claramente o alívio cômico da empreitada, ainda que várias das piadas sobrem também para The Rock.
No filme, a aventura se passa na Amazônia brasileira e a produção até se esmerou para reproduzir uma ambientação pátria, daí a quantidade de bandeiras do Brasil espalhadas pelos cenários e o português (com sotaque, claro) proferido pelos atores, como a mulata interpretada por Rosario Dawson (ALEXANDER, SIN CITY). Reproduzir sim, porque as filmagens foram realizadas na verdade no Havaí, por questões de segurança. Um dos extras desta edição explica como esta maquiagem das locações havaianas foi realizada, de modo a se passar pela selva amazônica.
Este nem é o problema do filme, já que se assume desde o início como farsa. O que compromete é a indecisão do roteiro entre qual caminho seguir, humor ou ação, denúncia ou fantasia? Lá pelas tantas os heróis acabam num templo cheio de armadilhas que não ficaria mal em uma aventura de Indiana Jones, mas que parece deslocado da subtrama de exploração humana em um campo de garimpo tal qual a Serra Pelada (o vilão é um empreiteiro americano vivido com a devida falta de escrúpulos pelo sempre ótimo Christopher Walken). Esta indecisão parece ser característica dos trabalhos do Peter Berg, como mostra O REINO e o novo HANCOCK.
De qualquer forma, toda a ação está perfeitamente reproduzida nesta versão em Blu-ray, com imagem de cair o queixo: cores vibrantes e ótimo nível de detalhes, que reproduz em perfeitas 1080 linhas de resolução todo o glamour cinematográfico da Amazônia fake. E BEM-VINDO À SELVA soa melhor ainda, ao disponibilizar faixa de áudio sem perdas, em Dolby TrueHD. Os extras – comentários em áudio, documentários, cenas excluídas – possuem legendas em português, só que o de Portugal. Mas o grande diferencial para a edição em DVD é realmente o ganho absurdo de qualidade técnica. Vale até a pena gastar duas horas numa diversão que não sabe muito bem o que quer ser.
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