GET SMART, EUA, 2008
De Peter Segal
Com Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson, Alan Arkin, Terence Stamp, James Caan
Dentre todos os requisitos do agente da CONTROL Maxwell Smart (Steve Carell), alguns menos nobres que outros, o principal é o de nunca temer a infâmia. Esta também é característica mais marcante do divertidíssimo AGENTE 86, a adaptação para o cinema da célebre série de TV criada por Mel Brooks e Buck Henry nos anos 60. Felizmente o diretor Peter Segal compensa com sobra a carga de piadas infames graças ao ritmo ágil e às inúmeras gags visuais e verbais que recuperam os elementos que faziam a fama da série (como o sapatofone) e que fazem a ponte entre a sátira da Guerra Fria do original e o atual contexto político. Afinal, para permitir que uma organização como a CONTROL seja responsável pela segurança da nação, só se os governantes da mesma forem igualmente debilóides.
Trata-se de uma história de origem. Smart é um analista da CONTROL que sonha em ser promovido a agente de campo, como seus colegas, o heróico Agente 23 (Dwayne “The Rock” Johnson, fazendo troça dos heróis de filmes de ação) e a sexy Agente 99 (Anne Hathaway, de O DIABO VESTE PRADA). A oportunidade surge quando a sede da CONTROL é invadida pelos agentes da organização terrorista KAOS, liderada pelo maléfico Siegfried (Terence Stamp). Smart e a Agente 99 são encarregados de investigar um roubo de plutônio na Chechênia, que pode estar relacionado a um atentado à vida do presidente americano (James Caan, hilário) e à presença de um agente duplo dentro da CONTROL.
Segal, conhecido até então por ter realizado algumas das poucas comédias de Adam Sandler que prestam, faz bem em não deixar a coisa desandar em cenas de ação genéricas, como aconteceu com outras adaptações de séries como AS PANTERAS (aliás, dirigir ação não é o forte de Segal), e recupera algo de sua sátira política MEUS QUERIDOS PRESIDENTES, que rodou com Jack Lemmon e James Garner em 1996. O diretor foi extremamente feliz também na escolha de elenco. Steve Carell não deixa nada a dever ao agente original Don Adams (a quem o filme é dedicado) e talvez faça de seu Maxwell Smart alguém um tiquinho mais digno do nome. Já Alan Arkin está impagável como o Chefe, líder da CONTROL. E não é todo dia que um blockbuster hollywoodiano constrói algumas de suas melhores sacadas em cima de fontes nobres como FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO e O HOMEM QUE SABIA DEMAIS de Hitchcock.
Cotação: «««